A mensagem de Jesus foi política ou religiosa?

Atualizado: Abr 12

A mensagem de Jesus foi política ou religiosa?


Esse questionamento não faria qualquer sentido antes da Modernidade.


Até século XVI, todo mensagem política, econômica e social era, também, uma mensagem religiosa. E toda mensagem religiosa tinha implicações políticas, econômicas e sociais.


A religião só se tornou uma esfera totalmente separada das outras a partir dos pensadores iluministas, no século XVIII.


Logo, a mensagem de Jesus era a um só tempo política e religiosa. O Reino que ele anunciava era político e religioso. Assim como o Messias, anunciado no velho testamento, era uma figura político-religiosa. Também os imperadores romanos eram a um só tempo político-religosos (sendo cultuados como divinos).


Assim, desconsiderar o conteúdo político da mensagem de Jesus é como mutilar o evangelho: a condenação aos ricos e poderosos era clara (Lc. 6:20-26; 16:19-31). A ordem para se distribuir riquezas também era clara (Lc.18:18-30; 19:1-10). O Reino anunciado seria para fazer justiça aos pobres, aos órfãos, às viúvas, aos desamparados - todo o evangelho diz isso!


Jesus era de esquerda!


O amor pregado por Jesus era uma prática, não um sentimento. A "boa nova" pregada por ele era um jeito novo de se estar no mundo (baseado na humildade, no perdão e na compaixão), mais que uma fé.


Tudo isso era tão claro que, mesmo após a morte do Nazareno, seus discípulos continuaram se organizando numa espécie de "comunismo primitivo", onde toda a riqueza privada era socializada entre os membros da comunidade (At. 4:32-37; 5: 1-11).


A mensagem religiosa de Jesus - "comunista" e "anti-imperialista" (Lc. 23:1-2) - foi politicamente recebida pelas autoridades do Império Romano.


Se o conteúdo exclusivamente religioso da mensagem de Jesus fosse a causa da sua morte, muito provavelmente ele teria sido morto por apedrejamento, pelos próprios judeus, conforme o rito da época. Romanos não executavam judeus por blasfemar contra a fé judaica.


Porém a morte de cruz era uma morte política, reservada a todos os rebeldes do Império. Isso não é questão de fé, é um fato histórico.


Por isso, é importante dizer a todos os cristãos: a sua fé de gira em torno de um perseguido político; que foi preso; torturado; condenado e executado. Isso é conteúdo histórico, tudo o mais, fora disso, é uma questão de fé.


Isto posto, podemos dizer que essa geração bolsonarista (capitalista, violenta, egoísta, arrogante, vingativa, intolerante, autoritárias, defensora de torturadores, etc.) é das menos cristãs que já tivemos notícia na história do Brasil - na verdade ela é anticristã!


Qualquer ateu, comunista, defensor de direitos humanos é mais cristão que um bolsonarista que vive 'socado' dentro uma igreja.


A igreja brasileira perdeu tanto tempo procurando o demônio em desenhos animados, discos da Xuxa, bonecos do Fofão, embalagens de maionese, etc. que quando o Anticristo (o oposto de Cristo) realmente apareceu, não só não puderam reconhecê-lo, como o amaram, idolatraram, abraçaram a sua mensagem e o conduziram a Presidência da República.


O cristianismo foi morto e derrotado dentro das igrejas brasileiras, com os cristãos fazendo arminhas com os dedos dentro dos templos. Quem sabe algum dia ele ressuscite. Daí sim, nesta ressurreição, teremos uma verdadeira Páscoa.


Texto por Renato Vicentini

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